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sexta-feira, 15 de maio de 2026

O silêncio que o semáforo ensina.

 



Hoje percebi que o semáforo vermelho é o único lugar da cidade onde as pessoas concordam em parar. Sem buzinas, sem xingamentos, sem negociação. Apenas uma trégua forçada, respeitada por todos.

É irônico: só obedecemos quando a máquina nos obriga. Enquanto isso, no bolso, o celular vibra. Mais uma vez. Urgência fabricada. Um e-mail que poderia ser amanhã, ou nunca, ou uma simples respiração. Mas não. A gente atende. A gente corre.

Corremos para chegar mais cedo a lugares que nem notamos quando passamos. O prédio não repara na nossa falta. A calçada não guarda memória dos nossos passos apressados.  

Será que a pressa é medo de chegar? Medo do que encontraremos quando pararmos de fato? Ou talvez seja medo de ficar, de perceber que o silêncio incomoda, que o tédio assusta, que nós já não sabemos mais ficar a sós.

O tempo não está escasso. Isso é outra invenção nossa, como a fila do banco ou a segunda-feira. Só não soubemos mais onde guardar o silêncio. Perdemos a chave da gaveta onde a gente guardava a pausa, o olhar pro nada, o tédio criativo.

O sinal abre. A cidade recomeça. Eu sigo. Um pouco menos apressada. Respirando devagar, rindo de mim mesma, enquanto o resto do mundo continua sua corrida invisível.


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