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sábado, 30 de maio de 2026

Café e os amigos.






 Eu gosto de café… e talvez de umas três pessoas! É isso. Simples assim.

Pode parecer pouco para quem gosta de multidão, mas para quem valoriza paz de espírito, três já é luxo.

O café é quentinho, não decepciona, tá sempre ali quando você precisa, de manhã, de tarde, naquele momento que o mundo parece desmoronar. Já as pessoas… bom, as pessoas são complicadas.

Umas somem quando você mais precisa. Outras só aparecem para pedir favor. Algumas falam pelas costas e sorriem na sua frente. Como eu disse… pessoas são complicadas.

Então sim: três pessoas verdadeiras já é um número gigantesco. É o suficiente para uma vida inteira de parceria, risada sincera e ombro amigo. Para caminhadas no parque ou dividir a pizza em um sábado chuvoso. Sim, três é um número mais do que suficiente.

Se você tem três pessoas que você ama e que te amam de verdade… guarde-as com carinho. E se ainda não encontrou as suas, fique com o café. Ele também é uma ótima companhia.


Se você acha isso egoísmo, pense naqueles “amigos” que se afastaram ou você afastou, e no motivo que levou a essa situação. Pense nisso, enquanto saboreia aquele café fresquinho.

Até a próxima crônica.

A. Suely

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Uma Xícara de Café




 Lá vamos nós observar o cotidiano. Na lanchonete, com o olhar perdido, vendo, mas não enxergando nada. Minha atenção é despertada pela pessoa a minha frente, com sua xícara de café.

Não olho a pessoa, observo os gestos. 

Se meu olhar está perdido em dimensões estranhas, o dele deve estar em uma dimensão divertida, pois ele sorri. Os olhos estão fixos na xícara, mas tenho certeza que ele não a vê. Ele mergulhou no líquido marrom e apareceu em outra dimensão. Talvez esteja revisitando uma tarde antiga, talvez remontando o futuro. Quem sabe?

Qual o problema? Nenhum. Todos nós fazemos isso. O que? Com uma xícara de café na mão, se desligar do mundo. Ir para algum lugar que ninguém nunca foi, mas você já esteve lá. É um pacto silencioso entre os distraídos de plantão: fingimos que tomamos café, mas, na verdade, estamos boiando entre um gole e outro.

Um refúgio só nosso. Segundos de uma parada que valem por horas. Alívio para a alma, alívio para os nervos. E o melhor: ninguém precisa saber.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

O silêncio que o semáforo ensina.

 



Hoje percebi que o semáforo vermelho é o único lugar da cidade onde as pessoas concordam em parar. Sem buzinas, sem xingamentos, sem negociação. Apenas uma trégua forçada, respeitada por todos.

É irônico: só obedecemos quando a máquina nos obriga. Enquanto isso, no bolso, o celular vibra. Mais uma vez. Urgência fabricada. Um e-mail que poderia ser amanhã, ou nunca, ou uma simples respiração. Mas não. A gente atende. A gente corre.

Corremos para chegar mais cedo a lugares que nem notamos quando passamos. O prédio não repara na nossa falta. A calçada não guarda memória dos nossos passos apressados.  

Será que a pressa é medo de chegar? Medo do que encontraremos quando pararmos de fato? Ou talvez seja medo de ficar, de perceber que o silêncio incomoda, que o tédio assusta, que nós já não sabemos mais ficar a sós.

O tempo não está escasso. Isso é outra invenção nossa, como a fila do banco ou a segunda-feira. Só não soubemos mais onde guardar o silêncio. Perdemos a chave da gaveta onde a gente guardava a pausa, o olhar pro nada, o tédio criativo.

O sinal abre. A cidade recomeça. Eu sigo. Um pouco menos apressada. Respirando devagar, rindo de mim mesma, enquanto o resto do mundo continua sua corrida invisível.


Se este texto fez seu ritmo desacelerar um pouco, assine o “Notas de Quem Olha”.  Uma crônica por semana, sem urgência. Só o tempo certo da leitura, do silêncio, do talvez.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Olá!

 

Se você chegou até aqui, provavelmente cansou de ler sobre “como ser mais produtivo em 5 minutos” ou de ver listas que prometem mudar sua vida enquanto você mal terminou o café.

Aqui não tem atalho. Só observação.

O “Notas de Quem Olha” é um espaço para crônicas que olham o mundo com um pé no chão e outro no espanto. Uma por semana, sem urgência, sem algoritmo no meio do caminho. Às vezes com ironia, às vezes com pausa, sempre com a desconfiança saudável de quem sabe que a pressa é o novo vício dos distraídos.

Você não precisa responder. Mas se quiser, pode. Caixas de entrada são lugares solitários e gosto de saber que há alguém lendo do outro lado.

Até a próxima crônica.


A. Suely

Você sabia que, quando você ignora o circo, o show acaba?

Achei essa frase por aí, e ela faz muito sentido. Porquê? Já reparou como certas confusões só existem porque alguém resolveu dar atenção? Vo...